Gosto muito de ir buscar o Matt à escola e encontrar os meus ex-alunos. Sei que não foi há muito que os deixei mas, sabe-me bem ouvi-los chamar pelo meu nome, acenarem-me ou virem ter comigo ao carro, bater-me na janela e pedir-me um beijinho, mostrar que ainda não se esqueceram de mim.
Até há pouco tempo era-me penoso passar pela rua da escola. As saudades que me deixou doeram-me cá dentro e, ter lá o meu filho, era um reviver permanente dessa sensação aborrecida, desconfortável. Agora, três meses volvidos, a minha escola nova começa a fazer-me sentido. Cada passo dado no corredor já não tem aquele eco incomodativo; a sala de música e o grande auditório onde faço ensaios começam a ser-me tremendamente familiares; as caras com quem me cruzo diariamente já se abrem num sorriso de resposta ao meu, afinal, antes era eu quem não conseguia sorrir.
Hoje voltei à escola antiga mas não entrei. Esperei pelo filho lá fora. Alguns antigos alunos viram-me, acenaram e apontaram com satisfação para a guitarra que levavam para a aula de música. Não saí do carro. Sorri. Fiquei contente por eles.
Fiquei contente por mim.
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