02/02/2010

Dos dias de sol

Tem sido um Inverno rigoroso. A chuva dos últimos meses entranhou-se-me no corpo, deixando-me sombria e desgastada. Por vezes olhava pela janela e via as nuvens cinzentas como que a rir-se de mim, mostrando a sua imponência perante a minha insignificância e ali ficavam, imparáveis, a chover-me também na alma. No outro dia continuavam, ferozes. Por vezes acompanhadas de vento. Outras, como quem simula uma trégua, faziam-se acompanhar de uma luminosidade que me deixava expectante para depois, no minuto seguinte, largarem aquela risada trocista e despreocupada e voltarem a desfazer-se em milhentas gotas transparentes.
Fingi deixar de me importar, afinal, a chuva é amiga e faz falta. Ai... mas por dentro...o cinzento apoderava-se ganhando terreno. Mas eis que as minhas plantas pareciam sorrir, acalmando-me, prometendo para breve flores de todas as cores! Sorri, por fim.
As nuvens, indignadas perante a minha rendição, começaram a dissipar-se, aceitando que o vento as levasse para outras paragens.
Um sol ainda tímido, acabadinho de chegar sabe-se lá de que canto do planeta, rasgou o céu e, sem precisar de permissão, foi espalhando os seus raios, roubando o lugar à sombra e mostrando que já não falta muito para o seu reinado se instalar novamente.

1 comentário:

Rute Carla disse...

Incrível como o tempo , sol ou chuva influenciam o nosso estado de espírito, não é? Beijinho.