15/09/2009

O primeiro dia

Dormi mal. O turbilhão de pensamentos que me assombrou toda a noite e não me deu tréguas ao corpo e mente, acabou também por me levantar da cama mais cedo do que previra.
O primeiro dia. O meu. O do David.
A vida é feita de muitas primeiras vezes mas atrevo-me a dizer que nenhuma marca tanto alguém como o primeiro dia de escola. O dia em que parte da nossa infância se vai, em que dizemos adeus às tardes despreocupadas, às brincadeiras tão inocentes dos cinco anos, à boca suja, às unhas negras e ao bibe de quadradinhos pintado de tantas cores. É o dia em que damos aquele passo gigantesgo em direcção ao futuro, esse futuro papão e infame que nos traga os dias tornando-os rápidos, com menos horas, que nos leva as estações uma após outra e nos faz soprar as velas do bolo sem a mesma alegria de outrora.
Foi hoje o primeiro dia do David na escola e eu não estive lá com ele. Não lhe sequei as lágrimas nem o ouvi gritar que não, não queria ir para a sala sózinho. A essa hora estava eu a receber de braços abertos vinte e sete meninos desconhecidos, todos de sorriso na cara e expressão curiosa, olhando-me pela primeira vez mas não adivinhando sequer como me sentia por dentro.
Foi o meu primeiro dia na escola nova com alunos. O primeiro dia dele na escola nova, como aluno. E eu não faço parte dessa recordação.

5 comentários:

Sofia Afonso disse...

Não fiques triste amiga. Pensa que ficaste na (boa) recordação dos teus 27 meninos, que também foram para a escola com medo do desconhecido.
E o teu filhote de certeza que não te levou a mal, pois o carinho e dedicação que tu lhe dás diariamente minimiza com certeza os momentos de ausência forçada que por vezes têm mesmo que acontecer.
Boa sorte para os dois, para a nova etapa, para a nova vida!
Um beijinho grande

Avozinha disse...

Como sabes, o nosso primeiro dia de escola na vida só começa quando a mãe / o pai nos deixam ficar entregues à professora e ao futuro. É assim mesmo. Custa-te muito mais a ti que a ele, tenho a certeza! Abraço para todos!

Carla disse...

Sabes que infelizmente a nossa profissão acaba por ser desgastante não só para nós como para a nossa família...por vezes eles perdem mais que nós...sei bem do que falas pois com o meu mais velho foi assim...enquanto ele ia para a escola com o pai eu estava a receber os meus alunos...

bj

Rute Carla disse...

Oh, amiga, imagino o quanto te custou! Abraço apertado. (gosto qd deixas a caneta... o teclado ir...e escreves com emoção e poesia.)

zarah disse...

oh :(