Não têm sido poucas as vezes em que abro esta página para nela escrever qualquer coisa, no entanto o branco e vazio espaço intimida-me e, mesmo tendo ideias, acabo por deixá-las assim meio desarrumadas na prateleira do meu pensamento protelando a sua ordenação vez após vez, como se de um trabalho penoso e obrigatório se tratasse. Estou a mudar, concluo. Dantes, pequenos nadas se transformavam em textos; linhas cheias fluíam e, a caneta, invejosa, apropriava-se de páginas e mais páginas, não sabendo parar, num frenesim corrido, alegre e entusiasmado, como se fosse ela também uma parte do meu corpo.
Agora dói-me escrever. Dou comigo a falar alto, como que querendo ordenar às minhas mãos que escrevam aquilo que penso, contudo elas não obedecem, preferem explorar outros caminhos, abrem e fecham janelas, clicam no rato e, quando por fim regressam à página já é tarde demais, a inspiração desanimou.
E aí baixam-se os braços e adia-se para uma outra vez.
5 comentários:
Também é bom descansar a escrita...
Vais ver que de um dia para o outro as coisas mudam
bjokas
Ma olha que este texto está inspirado!
Beijinhos
acho que podia ter sido eu a escrever este texto. revejo-me imenso no que escreveste "nesta altura". esperamos que seja só uma fase transitória! ;)
Há momentos assim. Mas são ocasiões como essas que dão origem a textos destes. Deu gosto ler.
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