Não costumo ligar muita importância ao dia dos namorados mas, nem sempre foi assim. Houve tempos em que passar este dia sem ter uma companhia era garantia de sentimentos de grande tristeza e frustração. Verdade. Lembro-me de andar na escola secundária e ver algumas colegas exibirem os ursinhos de peluche, muito kitsch mas que, para adolescentes como eu, eram um presente e peras! Lembro-me também dos namoros que começavam neste dia, dos muitos novos pares que enchiam os recantos da escola, dos sorrisinhos e alguns gritinhos mais histéricos a anunciarem um S.Valentim generoso embora, quase sempre, fugaz.
O fim do dia era então a estocada final: vir para casa com a memória vazia e o coração apertado era sinónimo de lágrimas quase certas e de um sentimento horrível a apoderar-se de mim. Quase sempre pensava: mais um ano e eu sem namorado. E foi assim muitos anos.
Já mais tarde, na faculdade, aconteceu-me uma coisa curiosa: receber em casa, por um estafeta, um enorme ramo de rosas vermelhas, com cartão mas sem assinatura e não perceber se quem as tinha enviado era o ex-namorado com quem acabara recentemente, ou um colega que gostava de mim...
Acho que só voltei a celebrar o dia no meu último ano de faculdade, pelo telefone, numa alegria quase extasiante ao ouvir a voz do Barry do outro lado da linha, tão longe, a tantos milhares de quilómetros...mas ao mesmo tempo perceber que era aquele o sentimento real de quem por fim ama alguém verdadeiramente. No ano após esse já o passámos juntos e, dois anos depois, no mesmo dia, ele pedia-me em casamento oferecendo-me um anel.
Depois de casados poucas vezes saímos neste dia. Ora o trabalho, ora os horários sempre desencontrados, ora um filho, outro e outro...
Quanto a hoje. Bem, hoje reservámos uma mesa num restaurante japonês novinho a estrear. Vamos ver se a Rebeca nos deixa namorar um bocadinho.