28/06/2010

Rebeca - 30 meses (ou dois anos e meio)


E a contagem dos meses continua! Desta vez 30 meses!





Aos dois anos e meio a pequenita já diz tudo, mas mesmo tudo... em inglês, claro! Na língua portuguesa também já aprendeu algumas expressões as quais inclui naturalmente nas suas conversas. Elas são:
- tão bom
- mesa
- está aqui

Está uma pestinha e faz a vida dos manos num rodopio! continua a comer e dormir muito irregularmente, tanto comendo tudo o que se lhe põe no prato e dormindo a noite toda, como petiscando aqui e ali e acordando a chorar. Acho que o apetite e o sono, no caso dela, estão bastante ligados...

Está uma espertalhona e é a alegria da casa!

Semanas intensivas!

Acho que o título deste post já dá um pouco a entender que o ritmo das minhas últimas semanas foi assim mesmo: cheio, cheio de coisas para fazer!
Como já previa, o trabalho na escola foi exaustivo. Ainda não tinha recuperado da lombociatolgia e já estava em cima dos dois pés, a muito custo, mas a trabalhar para não deixar tudo para o fim. Os milhentos documentos foram todos entregues a tempo e a avaliação correu sobre rodas, sem um único reparo da Direcção. Da minha turma três retenções...esperava entre cinco e sete. Não há dúvida que os colegas se enchem de boa vontade nesta altura do ano ajudando assim a que as estatísticas correspondam exactamente ao que o governo quer. E sobre isto nem digo mais nada...ele há coisas que me chateiam assim um "grande bocadinho"...
As festas dos miúdos também correram bem: o pai foi à do David e eu à do meu querido finalista. Também a festa da minha escola se passou. Foi numa noite ventosa em que eu e os outros membros do clube de Música, cheios de nervos lá agarrámos no microfone e cantámos para aquela gente toda. Não foi bom...mas também não foi mau, atendendo às parcas condições que temos.
Depois disto recebi a visita da avó Naná que, inicialmente, era para ficar na casa da minha mãe, mas devido a algumas complicações com a sua saúde, acabou por vir cá para casa para não ter de subir escadas. Foi uma semana muito boa mesmo. Tive muita ajuda da mãe que me ia ficando com os miúdos e fazendo as limpezas enquanto eu, stressada mas cheia de energia, me desmultiplicava em trabalhos e tarefas da escola.Os pequenos adoraram ter a casa cheia e estar com a avó e bisavó, que adoram!
...
Hoje a casa voltou quase à normalidade. A cama que comprámos para a avó Naná ainda está na sala...ajudando a esticar por mais uns momentos as recordações do tempo que ela aqui passou. As coisas na escola acalmaram por agora mas, a julgar pela ordem de trabalhos afixada para os próximos dias, ainda vou ter muito que "penar".
A Formação para a qual me inscrevi, após ter sido mudada de Outubro para agora, acabou por não acontecer, deixando-me com mais algumas horas livres mas antecipando a ideia de que não vai ser nada fácil ter de fazer nesa fase duas coisas ao mesmo tempo...
A manhã de hoje foi dividida entre as tarefas da casa, compras e uma pequena visita à professora do Mateus por amanhã não poderei comparecer à reunião final. De tarde fui à escola receber um Encarregado de Educação e receber o seu parecer quanto à retenção repetida da filha.
Amanhã é outro dia e vai ser daqueles assim...importantes!!! depois conto tudo!

14/06/2010

Em casa

...com uma Lombociatalgia. Alguém é servido?
Pois, bem me parecia.
Vamos lá a ver se a injecção que tomei há pouco mais a dose cavalar de medicamentos aceleram o meu regresso à escola. É que, em fase de avaliações, não me convém mesmo nada estar em casa!

11/06/2010

Muitos testes para ver; avaliações para dar; reuniões a participar; milhares de grelhas, papelinhos, pontos e cotações. Impressos de matrícula para agrupar e, e, e...
Começou o meu stress!

02/06/2010

Dos três dias em casa

Os últimos três dias têm sido passados em casa. Gosto de estar em casa. Aliás, adoro estar em casa. De facto, se pudesse, era em casa que eu estaria, sem me preocupar com dinheiros, rendimentos, nível de vida...por aqui ficaria, feliz e contente, com o meu marido e os meus três filhos. Tenho dito isto muitas vezes e acho que esta frase vai-me sair da boca por mais anos que viva. Ora estava eu a dizer que os últimos três dias têm sido passados aqui, desta feita a tomar conta de uma doentinha que teima em ter ataques de tosse e andar rouca. Há pouco, estando ela no seu ó-ó e a casa silenciosa, olho à minha volta e vejo a tv, o computador (sempre ligado), o piano e todas aquelas coisas com que se vai enchendo a casa ao longo dos anos. Olho lá para fora e vejo as minhas flores, as petúnias que este ano vieram tão tarde, e, do outro lado do portão, o meu carro, que me leva para onde vou precisando de ir...e aí penso que, se não trabalhasse, não teria decerto todas estas coisas. Não me interpretem mal; apesar de o materialismo ser o meu "ponto fraco"(eu aqui me confesso), acho que não estou assim tão presa a esses bens que deixasse de ser feliz por não os ter. Mas pronto...adiante.
Por estar em casa sem sair, literalmente, ando sem pressas e dou comigo a pensar nas coisas, em jeito reflexivo. Analiso mais pormenorizadamente cada pequeno acontecimento, por mais insignificante que seja; lembro-me mais dos outros, das suas necessidades e dos seus problemas, escrevo mensagens de amizade ou de encorajamento a quem precisa, etc. Por outro lado, passo tempo com os filhotes, comunico mais com eles, dou-lhes toda a atenção que precisam e eles adoram ter-me por cá sendo a ultima pessoa que vêem quando vão para a escola aquela que lhes abre a porta quando regressam e a quem relatam com entusiasmo as proezas do dia.
Há pouco, perdida nos meus pensamentos enquanto saboreava um batido improvisado, olho mais uma vez lá para fora e vejo a Mariana, uma aluna da minha direcção de turma. Estranhando a minha ausência, tinha vindo com a mãe passar à minha porta para saber se estava bem. Gostei do gesto, emocionei-me com ele. Afinal os miúdos da escola também sentem a minha falta, pensei.
Engraçado. Este ano tenho tido algumas destas surpresas. Depois das frustrações de anos anteriores, este tem sido claramente o melhor ano lectivo dos últimos tempos.
De modos que é assim. Parece que algo me sussurra ao ouvido que, já que tenho de trabalhar,as coisas até podem correr bem e valer a pena.




Ps. O post de ontem não teve nada de pessoal. Foi apenas uma constatação.

01/06/2010

Meus queridos, desenganem-se:
A vida não é (sempre)cor-de-rosa.

31/05/2010

Rebeca - 29 meses

A pequenita começou a tossir na sexta-feira. Depois de um pequeno episódio de febre, logo resolvido com benuron, e um fim-de-semana sem grandes percalços a não ser uma notória falta de apetite, eis que esta noite a coisa piora: Febre de arder e uma tosse de meter dó.
Tadinha da Rebeca...que maneira tão aborrecida de comemorar os 29 meses!
Hoje fomos de manhã ao hospital e o cenário é já bem conhecido: amigdalite. Tem mesmo a quem sair, esta minha filha!
Clavamox durante 7 dias e Benuron para a febre.

E é sempre assim na mudança das estações!

27/05/2010

A contar os dias

...para o final do Ano Lectivo.
Faltam 22.

21/05/2010

Dos alunos...

É sexta-feira. Dou Tutoria depois de almoço. A Rita, minha tutoranda, miúda de quase 12 anos, repetente de 5ºano, foi uma miúda assídua todo o primeiro e segundo período. Mas não só assídua! Interessada e trabalhadora. Os meus colegas que já a conheciam do ano passado só diziam que a miúda tinha mudado e que realmente estava muito melhor. De mim só partiam elogios, afinal, a rapariga estava com boas notas e já nem chegava atrasada ao primeiro tempo da manhã.
Com o terceiro período tudo mudou...
No outro dia, à entrada do pavilhão, vejo a Rita, metade fora da porta, em parco equilíbrio, tentando com uma mão agarrar na mochila e com a outra segurar-se à umbreira, enquanto o resto do corpo, especialmente a boca se apoiava no Daniel, miúdo da mesma turma, pequenito...todo ele sentimento, de olhos fechados a desfrutar o beijo. Eu nem queria acreditar...
Eles, claro está, não me viram, que abrir os olhos numa situação daquelas não é de todo recomendável.
Hoje a Rita não apareceu na tutoria. Ainda dei uma volta por todos os pavilhões à procura dela. Não a vi. Nem ao Daniel. Já tinham faltado a uma aula, disse-me alguém. Também não foram às seguintes e eu começo a preocupar-me.

13/05/2010

A única coisa boa na vinda a Portugal do "senhor a quem chamam Papa", é que eu e os miúdos não tivemos que ir à escola!
Descanso, brincadeiras lá fora e três episódios de "Glee" encheram-me a tarde.
Cool!

05/05/2010

Eu já previa isto...

...parece-me que no final deste ano escolar vou ter de concorrer por ausência de componente lectiva.
Seja o que Deus quiser.

04/05/2010

Feriado

É feriado na zona onde trabalho, por isso, pela primeira vez desde que estou nesta escola, posso aproveitá-lo em pleno com os miúdos que também não têm aulas!
De manhã saímos cedo e rumámos ao Parque da Paz, onde já tínhamos passado mas nunca visitado. Foi giro vê-los a correr, sem medos, sem olhar a perigos, deixando o ar livre apoderar-se das suas brincadeiras. Também a pequenita se aventurou e ia subindo montes, correndo atrás dos patos e até perseguir um lagarto enorme e verde por entre os arbustos!!!!

Depois, já com a fome a apertar, comemos no Fórum e acabámos na Decathlon a comprar roupa e sapatos para os rapazes a ver tendas gigantes!!! Quem me conhece sabe que não gosto de campismo mas confesso que até fiquei com uma pontinha de entusiasmo ao imaginar-me dentro de uma tenda daquelas com os miúdos todos! Talvez um dia...talvez...

03/05/2010

Os meus filhos estão a crescer e eu, parece-me que não estou a conseguir lidar bem com a situação...tanto que hoje já chorei duas vezes por causa disso. Ao sair da escola lembrei-me que o ano passado, por esta altura pensava assim: "para o ano, será o Mateus a fazer as Provas de Aferição"- E não é que o ano chegou?
Depois, à tarde, enquanto leccionava AP a um 5ºano, os mesmos pensamentos voltaram a assaltar-me a mente ao ver aqueles pequenitos ali sentados, pesquisando sobre dinossauros em livros da biblioteca para o seu projecto final.Para o ano será o meu filho mais velho a sentar-se naquela mesma sala, a fazer trabalhos, a aprender mais e mais. A crescer.

E tenho ainda tanto para dizer sobre isto...

16/04/2010

Mas que raio de perguntas são estas???

E queixava-me eu ontem de nada ter para contar...
Chego a casa, após um dia inteirinho na escola, sem alunos por causa de uma manifestação qualquer mas com direito a reunião de pais e, eis que começa uma enxurrada de perguntas feitas pelo filho mais velho:

- Mãe, aquele bebé que morreu na tua barriga entre mim e o David, teria agora quantos anos? e andaria em que ano?
- Mãe, para onde vão os bebés das mamãs que morrem durante o parto? São dados para adopção? e conheces alguém?
- Mãe, já te aconteceu muita coisa, não já? até já foste assaltada quando estavas grávida de mim, não foi?


Ufffff!!!

15/04/2010

É assustador não ter nada para dizer, ou para contar. Mau sinal, até.
Das vezes que aqui venho diariamente já perdi a conta. A página abre-se e fecha-se no minuto seguinte.
Nada, nem uma palavra sequer.

28/03/2010

Rebeca 27 meses

26/03/2010

Há pessoas que nos inspiram

Foi das primeiras pessoas que conheci nesta escola. Professora de Artes, meia idade, sempre apressada de um lado para o outro com os seus óculos no nariz e sorriso na face. Nunca me perguntou o nome; durante meses dirigia-se a mim chamando-me "miúda gira". Fiquei com alcunha entre alguns colegas e não me importo muito.
Um dia, depois de uma breve troca de palavras na sala de Dt´s trocámos endereços de mail e, passei a receber desde aí, mensagens com informações úteis, sempre ligadas ao ensino mas, acima de tudo, power points giríssimos por ela realizados para a sua turma especial e que demostram uma criatividade extrema, uma vontade de fazer o seu melhor cada dia, nunca baixando os braços nem se deixando derrotar pelos resultados menos bons que a turma tem.
Tenho-me apercebido que esta minha colega é muito para além de professora. É alguém cuja paixão pelo ensino a leva a esquecer-se das horas enquanto ao computador aprende coisas novas e que às onze da noite é avisada que a escola tem mesmo de fechar. Ao pé dela sentimo-nos mais enérgicos e, nas suas palavras adivinhamos os largos anos de experiências renovadas.
Leonor, se um dia leres isto fica a saber que gostava de ser "just like you".

23/03/2010

Ando ocupada


Papéis aos montes, secretária cheia, pasta carregada e três pens no estojo.
Está aí a avaliação do 2ºperíodo.
HELP!!!!!!

28/02/2010


A pequenita faz hoje 26 meses. Um dia chuvoso e feio mas abrigado pela casa quentinha e a lareira acesa.
Com 2 anos e 2 meses já acrescentou ao seu vocabulário:

. Hello
. Cheese
. Milk
. Take
. That
. Granny
. Hot
. "For me?"
. Cup
. Going
. mine
. etc

24/02/2010

Da escola...

Telefonei-lhe ontem, irritada, afinal a filha tinha faltado deliberadamente a uma aula de História e, aluna minha, NÃO PODE fazer isso!
-Pois, minha senhora, faltou e ainda me disse que não lhe tinha apetecido ir - redargui.
-Ai professora...não sei o que lhe diga. Amanhã vou aí, posso?
-Venha sim, ia mesmo pedir-lhe que viesse para assinar o Plano de Recuperação.

Hoje,à uma, lá estava a senhora sentada à minha frente. Ouviu-me quando lhe apresentei o Plano e, ao mesmo tempo, ia falando baixo e depressa , com uma voz grave e nervosa, os seus olhos raramente se fixando nos meus.
- A minha S. não tem desculpa, não senhora. Ela passou uns tempos difíceis, é verdade; tinha uma pai que não prestava para nada...pois, era toxicodependente...era...já não vive connosco mas ai quem lhe fale mal do pai, pois professora, o pai é tudo e ela ouve-o...a mim não. Eu sei que a culpa é minha, pois é. Nunca fui de bater no meus meninos. A Emília diz-me isso, a Emília é a madrinha do Miguel mas a S. é a ela que ouve. Ela ajudou a criar os meus meninos, setôra; pergunte-lhe setôra que ela diz-lhe; ela foi muito boa para nós e ainda é. Ó setora, os meus filhos têm educação! Posso não lhes dar tudo o que eles querem...sim, que a S. pede-me isto e aquilo e eu digo-lhe "a mãe agora não pode" e ela faz-me chantagem! sim, setora, a S.? ela faz chantagem, diz que vai pedir à avó e à madrinha e que se vai queixar que eu não lhe dou nada! Mas eu digo-lhe: S., diz o que quiseres que eu agora não te dou porque não posso...o pior é que depois às vezes dou. Dou e dei, deixei-a ir àquele passeio mas já não deixo ir ao próximo! Ai não vai não, a esse não vai! Eu sei que a setôra vai-me dar o papel mas eu não assino. Não vai...ela a esse não vai. - e ao mesmo tempo a voz sumia-se e os olhos fixavam-se nas cortinas do gabinete para depois os pousar na mesa. Sei que ainda falava, mas agora para dentro, para ela própria. Via-lhe os cantos da boca a mexerem-se ao de leve...
Tentei adivinhar-lhe a idade. É mania minha, faço sempre isso. Não deve ser muito mais velha do que eu - pensei.
Trazia vestido um polar branco, bastante gasto, calças de ginástica, ténis e um kispo. O cabelo encaracolado, farto e apanhado num rabo de cavalo mal preso, tinha várias cores, tantas quantas as das tintas usadas nos últimos tempos, para cobrir os brancos. Fixei-me nas unhas compridas, roxas, com brilhantes e o quanto destoavam do resto da indumentária...
O rosto tinha traços de uma beleza acabada, gasta. Nos olhos cor-de-mel e sem idade havia um brilho triste e preocupado. Faltavam-lhe muitos dos dentes da frente e, talvez por isso, a boca era como a dos idosos, enrugada, diminuta.
Distraí-me e nem reparei que tinha começado novamente a falar. - "...não queria que ela fosse como eu...só tenho a 4ªclasse, setôra, nem a consigo ajudar a fazer os trabalhos. Eu sento-me ao pé dela, sento-me e olho para os livros... mas aquilo é como se estivesse de olhos fechados, não percebo nada. Chamo logo o meu filho, ele sim é esperto mas a S. não gosta e diz que ele não é professor dela e não o deixa ensinar-lhe as coisas. É assim professora, ela secalhar vai ficar para trás outra vez, não vai? Eu não queria! Eu passo o dia todo a cozinhar, sou cozinheira, estou farta...não queria que ela chumbasse mas secalhar tem de ser. Ela até é adulta setora, ela só fala dos namorados das colegas, de um que é gótico, veja lá...gótico, que é que ela sabe disso? e dos pais da outra que se vão divorciar, ela sabe isso tudo, a matéria é que não. Já lhe disse: "S. concentra-te e deixa lá a vida dos outros! Preocupa-te com a escola, filha. Eu disse-lhe, setora, eu digo-lhe..ela é que é assim!
Este fim-de-semana não vai ver o pai...a setora havia de ver, ela ao pé do pai e ao telefone com ele é outra; comigo é que não. Fala mal e eu nem tenho mão nela. Ó setora quando ralhar com ela fale-lhe na Emília que a ela a S. respeita. Diga esse nome e vai ver! É o que eu faço, digo que vou contar à Emília o que ela faz!"

Tive de a interromper entretanto e estender-lhe o Plano de Recuperação para que o lesse. Não o olhou mais que uns escassos segundos e balbuciou baixinho, para si: "tantos numeros..."- assinou e devolveu-mo na ponta dos seus dedos de unhas roxas. Ficou ali sentada mais um bocado, a falar, a falar. Lá arrumei os dossiês como que pondo um ponto final na conversa e ela levantou-se, percebendo que o seu tempo tinha acabado.
Agradeceu-me e foi-se afastando, falando consigo própria na sua voz grave, baixinho, baixinho.