01/06/2010

Meus queridos, desenganem-se:
A vida não é (sempre)cor-de-rosa.

31/05/2010

Rebeca - 29 meses

A pequenita começou a tossir na sexta-feira. Depois de um pequeno episódio de febre, logo resolvido com benuron, e um fim-de-semana sem grandes percalços a não ser uma notória falta de apetite, eis que esta noite a coisa piora: Febre de arder e uma tosse de meter dó.
Tadinha da Rebeca...que maneira tão aborrecida de comemorar os 29 meses!
Hoje fomos de manhã ao hospital e o cenário é já bem conhecido: amigdalite. Tem mesmo a quem sair, esta minha filha!
Clavamox durante 7 dias e Benuron para a febre.

E é sempre assim na mudança das estações!

27/05/2010

A contar os dias

...para o final do Ano Lectivo.
Faltam 22.

21/05/2010

Dos alunos...

É sexta-feira. Dou Tutoria depois de almoço. A Rita, minha tutoranda, miúda de quase 12 anos, repetente de 5ºano, foi uma miúda assídua todo o primeiro e segundo período. Mas não só assídua! Interessada e trabalhadora. Os meus colegas que já a conheciam do ano passado só diziam que a miúda tinha mudado e que realmente estava muito melhor. De mim só partiam elogios, afinal, a rapariga estava com boas notas e já nem chegava atrasada ao primeiro tempo da manhã.
Com o terceiro período tudo mudou...
No outro dia, à entrada do pavilhão, vejo a Rita, metade fora da porta, em parco equilíbrio, tentando com uma mão agarrar na mochila e com a outra segurar-se à umbreira, enquanto o resto do corpo, especialmente a boca se apoiava no Daniel, miúdo da mesma turma, pequenito...todo ele sentimento, de olhos fechados a desfrutar o beijo. Eu nem queria acreditar...
Eles, claro está, não me viram, que abrir os olhos numa situação daquelas não é de todo recomendável.
Hoje a Rita não apareceu na tutoria. Ainda dei uma volta por todos os pavilhões à procura dela. Não a vi. Nem ao Daniel. Já tinham faltado a uma aula, disse-me alguém. Também não foram às seguintes e eu começo a preocupar-me.

13/05/2010

A única coisa boa na vinda a Portugal do "senhor a quem chamam Papa", é que eu e os miúdos não tivemos que ir à escola!
Descanso, brincadeiras lá fora e três episódios de "Glee" encheram-me a tarde.
Cool!

05/05/2010

Eu já previa isto...

...parece-me que no final deste ano escolar vou ter de concorrer por ausência de componente lectiva.
Seja o que Deus quiser.

04/05/2010

Feriado

É feriado na zona onde trabalho, por isso, pela primeira vez desde que estou nesta escola, posso aproveitá-lo em pleno com os miúdos que também não têm aulas!
De manhã saímos cedo e rumámos ao Parque da Paz, onde já tínhamos passado mas nunca visitado. Foi giro vê-los a correr, sem medos, sem olhar a perigos, deixando o ar livre apoderar-se das suas brincadeiras. Também a pequenita se aventurou e ia subindo montes, correndo atrás dos patos e até perseguir um lagarto enorme e verde por entre os arbustos!!!!

Depois, já com a fome a apertar, comemos no Fórum e acabámos na Decathlon a comprar roupa e sapatos para os rapazes a ver tendas gigantes!!! Quem me conhece sabe que não gosto de campismo mas confesso que até fiquei com uma pontinha de entusiasmo ao imaginar-me dentro de uma tenda daquelas com os miúdos todos! Talvez um dia...talvez...

03/05/2010

Os meus filhos estão a crescer e eu, parece-me que não estou a conseguir lidar bem com a situação...tanto que hoje já chorei duas vezes por causa disso. Ao sair da escola lembrei-me que o ano passado, por esta altura pensava assim: "para o ano, será o Mateus a fazer as Provas de Aferição"- E não é que o ano chegou?
Depois, à tarde, enquanto leccionava AP a um 5ºano, os mesmos pensamentos voltaram a assaltar-me a mente ao ver aqueles pequenitos ali sentados, pesquisando sobre dinossauros em livros da biblioteca para o seu projecto final.Para o ano será o meu filho mais velho a sentar-se naquela mesma sala, a fazer trabalhos, a aprender mais e mais. A crescer.

E tenho ainda tanto para dizer sobre isto...

16/04/2010

Mas que raio de perguntas são estas???

E queixava-me eu ontem de nada ter para contar...
Chego a casa, após um dia inteirinho na escola, sem alunos por causa de uma manifestação qualquer mas com direito a reunião de pais e, eis que começa uma enxurrada de perguntas feitas pelo filho mais velho:

- Mãe, aquele bebé que morreu na tua barriga entre mim e o David, teria agora quantos anos? e andaria em que ano?
- Mãe, para onde vão os bebés das mamãs que morrem durante o parto? São dados para adopção? e conheces alguém?
- Mãe, já te aconteceu muita coisa, não já? até já foste assaltada quando estavas grávida de mim, não foi?


Ufffff!!!

15/04/2010

É assustador não ter nada para dizer, ou para contar. Mau sinal, até.
Das vezes que aqui venho diariamente já perdi a conta. A página abre-se e fecha-se no minuto seguinte.
Nada, nem uma palavra sequer.

28/03/2010

Rebeca 27 meses

26/03/2010

Há pessoas que nos inspiram

Foi das primeiras pessoas que conheci nesta escola. Professora de Artes, meia idade, sempre apressada de um lado para o outro com os seus óculos no nariz e sorriso na face. Nunca me perguntou o nome; durante meses dirigia-se a mim chamando-me "miúda gira". Fiquei com alcunha entre alguns colegas e não me importo muito.
Um dia, depois de uma breve troca de palavras na sala de Dt´s trocámos endereços de mail e, passei a receber desde aí, mensagens com informações úteis, sempre ligadas ao ensino mas, acima de tudo, power points giríssimos por ela realizados para a sua turma especial e que demostram uma criatividade extrema, uma vontade de fazer o seu melhor cada dia, nunca baixando os braços nem se deixando derrotar pelos resultados menos bons que a turma tem.
Tenho-me apercebido que esta minha colega é muito para além de professora. É alguém cuja paixão pelo ensino a leva a esquecer-se das horas enquanto ao computador aprende coisas novas e que às onze da noite é avisada que a escola tem mesmo de fechar. Ao pé dela sentimo-nos mais enérgicos e, nas suas palavras adivinhamos os largos anos de experiências renovadas.
Leonor, se um dia leres isto fica a saber que gostava de ser "just like you".

23/03/2010

Ando ocupada


Papéis aos montes, secretária cheia, pasta carregada e três pens no estojo.
Está aí a avaliação do 2ºperíodo.
HELP!!!!!!

28/02/2010


A pequenita faz hoje 26 meses. Um dia chuvoso e feio mas abrigado pela casa quentinha e a lareira acesa.
Com 2 anos e 2 meses já acrescentou ao seu vocabulário:

. Hello
. Cheese
. Milk
. Take
. That
. Granny
. Hot
. "For me?"
. Cup
. Going
. mine
. etc

24/02/2010

Da escola...

Telefonei-lhe ontem, irritada, afinal a filha tinha faltado deliberadamente a uma aula de História e, aluna minha, NÃO PODE fazer isso!
-Pois, minha senhora, faltou e ainda me disse que não lhe tinha apetecido ir - redargui.
-Ai professora...não sei o que lhe diga. Amanhã vou aí, posso?
-Venha sim, ia mesmo pedir-lhe que viesse para assinar o Plano de Recuperação.

Hoje,à uma, lá estava a senhora sentada à minha frente. Ouviu-me quando lhe apresentei o Plano e, ao mesmo tempo, ia falando baixo e depressa , com uma voz grave e nervosa, os seus olhos raramente se fixando nos meus.
- A minha S. não tem desculpa, não senhora. Ela passou uns tempos difíceis, é verdade; tinha uma pai que não prestava para nada...pois, era toxicodependente...era...já não vive connosco mas ai quem lhe fale mal do pai, pois professora, o pai é tudo e ela ouve-o...a mim não. Eu sei que a culpa é minha, pois é. Nunca fui de bater no meus meninos. A Emília diz-me isso, a Emília é a madrinha do Miguel mas a S. é a ela que ouve. Ela ajudou a criar os meus meninos, setôra; pergunte-lhe setôra que ela diz-lhe; ela foi muito boa para nós e ainda é. Ó setora, os meus filhos têm educação! Posso não lhes dar tudo o que eles querem...sim, que a S. pede-me isto e aquilo e eu digo-lhe "a mãe agora não pode" e ela faz-me chantagem! sim, setora, a S.? ela faz chantagem, diz que vai pedir à avó e à madrinha e que se vai queixar que eu não lhe dou nada! Mas eu digo-lhe: S., diz o que quiseres que eu agora não te dou porque não posso...o pior é que depois às vezes dou. Dou e dei, deixei-a ir àquele passeio mas já não deixo ir ao próximo! Ai não vai não, a esse não vai! Eu sei que a setôra vai-me dar o papel mas eu não assino. Não vai...ela a esse não vai. - e ao mesmo tempo a voz sumia-se e os olhos fixavam-se nas cortinas do gabinete para depois os pousar na mesa. Sei que ainda falava, mas agora para dentro, para ela própria. Via-lhe os cantos da boca a mexerem-se ao de leve...
Tentei adivinhar-lhe a idade. É mania minha, faço sempre isso. Não deve ser muito mais velha do que eu - pensei.
Trazia vestido um polar branco, bastante gasto, calças de ginástica, ténis e um kispo. O cabelo encaracolado, farto e apanhado num rabo de cavalo mal preso, tinha várias cores, tantas quantas as das tintas usadas nos últimos tempos, para cobrir os brancos. Fixei-me nas unhas compridas, roxas, com brilhantes e o quanto destoavam do resto da indumentária...
O rosto tinha traços de uma beleza acabada, gasta. Nos olhos cor-de-mel e sem idade havia um brilho triste e preocupado. Faltavam-lhe muitos dos dentes da frente e, talvez por isso, a boca era como a dos idosos, enrugada, diminuta.
Distraí-me e nem reparei que tinha começado novamente a falar. - "...não queria que ela fosse como eu...só tenho a 4ªclasse, setôra, nem a consigo ajudar a fazer os trabalhos. Eu sento-me ao pé dela, sento-me e olho para os livros... mas aquilo é como se estivesse de olhos fechados, não percebo nada. Chamo logo o meu filho, ele sim é esperto mas a S. não gosta e diz que ele não é professor dela e não o deixa ensinar-lhe as coisas. É assim professora, ela secalhar vai ficar para trás outra vez, não vai? Eu não queria! Eu passo o dia todo a cozinhar, sou cozinheira, estou farta...não queria que ela chumbasse mas secalhar tem de ser. Ela até é adulta setora, ela só fala dos namorados das colegas, de um que é gótico, veja lá...gótico, que é que ela sabe disso? e dos pais da outra que se vão divorciar, ela sabe isso tudo, a matéria é que não. Já lhe disse: "S. concentra-te e deixa lá a vida dos outros! Preocupa-te com a escola, filha. Eu disse-lhe, setora, eu digo-lhe..ela é que é assim!
Este fim-de-semana não vai ver o pai...a setora havia de ver, ela ao pé do pai e ao telefone com ele é outra; comigo é que não. Fala mal e eu nem tenho mão nela. Ó setora quando ralhar com ela fale-lhe na Emília que a ela a S. respeita. Diga esse nome e vai ver! É o que eu faço, digo que vou contar à Emília o que ela faz!"

Tive de a interromper entretanto e estender-lhe o Plano de Recuperação para que o lesse. Não o olhou mais que uns escassos segundos e balbuciou baixinho, para si: "tantos numeros..."- assinou e devolveu-mo na ponta dos seus dedos de unhas roxas. Ficou ali sentada mais um bocado, a falar, a falar. Lá arrumei os dossiês como que pondo um ponto final na conversa e ela levantou-se, percebendo que o seu tempo tinha acabado.
Agradeceu-me e foi-se afastando, falando consigo própria na sua voz grave, baixinho, baixinho.

18/02/2010

Carnaval 2010

Quando não se faz muitos planos as coisas acabam por acontecer, naturalmente. Foi assim este Carnaval; quando demos por isso estávamos novamente no Algarve, na companhia dos nossos amigos e, não obstante a chuva que ia caindo, divertimo-nos, passeámos, assistimos ao riso das nossas crianças, divertidas bebemos muito chá e café e comemos toneladas de chocolate!
Obrigada pelo convite!

































02/02/2010

Dos dias de sol

Tem sido um Inverno rigoroso. A chuva dos últimos meses entranhou-se-me no corpo, deixando-me sombria e desgastada. Por vezes olhava pela janela e via as nuvens cinzentas como que a rir-se de mim, mostrando a sua imponência perante a minha insignificância e ali ficavam, imparáveis, a chover-me também na alma. No outro dia continuavam, ferozes. Por vezes acompanhadas de vento. Outras, como quem simula uma trégua, faziam-se acompanhar de uma luminosidade que me deixava expectante para depois, no minuto seguinte, largarem aquela risada trocista e despreocupada e voltarem a desfazer-se em milhentas gotas transparentes.
Fingi deixar de me importar, afinal, a chuva é amiga e faz falta. Ai... mas por dentro...o cinzento apoderava-se ganhando terreno. Mas eis que as minhas plantas pareciam sorrir, acalmando-me, prometendo para breve flores de todas as cores! Sorri, por fim.
As nuvens, indignadas perante a minha rendição, começaram a dissipar-se, aceitando que o vento as levasse para outras paragens.
Um sol ainda tímido, acabadinho de chegar sabe-se lá de que canto do planeta, rasgou o céu e, sem precisar de permissão, foi espalhando os seus raios, roubando o lugar à sombra e mostrando que já não falta muito para o seu reinado se instalar novamente.

28/01/2010

Rebeca - 25 meses


Com o passar dos meses gosto de publicar aqui uma foto da Rebeca. Não sendo desta vez excepção, aqui fica uma pequena marca da passagem dos seus 25 meses.

A Rebeca:

. começou a agradecer quando lhe damos qualquer coisa que nos pede, dizendo "Tata" - em inglês é esta a expressão utilizada pelos pequenitos para dizer obrigada.

. quando não percebe o que lhe dizemos, com um ar muito aborrecido diz:"What?"

. canta pequenos conjuntos de notas musicais associados a canções do seu dia-a-dia.

. diz o que quer ver na tv: "pon-bo, significa "Sponge Bob"; Nina, significa "Angelina Ballerina" , Bean para "Mr. Bean", Mickey então diz correctamente e Tigger também.

. quando lhe pedimos para ir fazer qualquer coisa que está ao seu alcance ou responde "No" ou se estiver para aí virada diz um certeiro e eloquente: "Alright"- é uma graça!

. quando ouve o genérico da "Angelina Ballerina" gira sobre si mesma com as mãos juntas no ar, imitando a personagem principal da série.

Agora a parte menos boa:

.anda terrível para comer. Chega a passar um dia sem comer nada de jeito...só a petiscar isto ou aquilo.

. acorda das sestas muito rabugenta, não chegando por vezes a dormir durante o dia e estando impossível de aturar tal é o cansaço!

. detesta que a penteie...o cabelo está tão comprido e encaracolado que é um martírio desembaraçá-lo.

. é muito mandona e quer tudo à maneira dela. Consegue que o mano mais velho ande às suas ordens mas colide muito com o David...especialmente porque quer a atenção toda para ela.

20/01/2010

Coisas do dia-a-dia


Cinco da tarde. Por detrás do balcão, o sapateiro tenta descobrir, entre tantas dezenas de botas, as que me pertencem.
- "Não são estas"- São altas demais - diz, como se pela minha cara soubesse exactamente que não calço nada com mais de quatro centímetros de salto. - "Estas são compridas...e as suas são curtas", completa, conhecedor.
Observo a pequena loja desarrumada, onde sapatos e botas se amontoam. Gosto do cheiro a graxa, lembra-me outros tempos, aqueles em que um par de sapatos se reformava em cada estação, ora com meias solas, capas, ou uma pintura. Tinham de durar anos e assim o era.
A um canto, à máquina de coser, estava uma mulher. Óculos postos, dedos certeiros a manejar com precisão um bocado de cabedal. Sem levantar os olhos perguntou-me quando lá tinha deixado as botas.
-"Deixei ontem de manhã, dois pares, umas pretas e uma cinza"- esclareci. A mulher assentiu.Foi só para puxar conversa mas eu não tinha muito para dizer.
O sapateiro continuava a árdua tarefa de tentar encontrar as minhas botas até que, com um sorriso, retira de um monte uma delas, triunfante. - "Está aqui uma, agora só falta a outra" - e lá remexia os muitos pares perante a minha crescente preocupação.Lá fui descrevendo as botas enquanto ele acenava com a cabeça, parecendo lembrar-se muito bem. Reparei nas suas mãos sujas, na camisola de lã sem espaço para mais borbotos, nas pantufas que calçava, nos tiques da sua boca que se num momento parecia estar a sorrir, no seguinte parecia fazer beicinho. A mulher, de costas voltadas para ele, não disse mais nada nem nunca levantou o olhar da sua tarefa. Reparei que não devia ser muito velha, mas a curvatura das costas rendidas aos muitos anos de trabalho, conferiam-lhe um peso duro de suportar.
Passaram-se alguns minutos mais e eu não conseguia deixar de observar aqueles dois, e imaginar como seria a sua vida fora daquela loja. Os meus pensamentos foram interrompidos pelo tom contente do sapateiro que já tinha descoberto as minhas botas e agora as engraxava vigorosamente: "Estas capas vão durar o resto do Inverno. Uma maravilha, estas capas; sim senhora, uma maravilha!- e olhava para as botas com visível satisfação. Também a mulher se rendia à obra prima e contemplava as botas, impressionada.
Respondi: "Espero que durem, sim.." - Paguei, agradeci e saí dali ansiosa por chegar a casa e vir escrever. Há coisas pequenas, simples, rotineiras até, mas que por alguma razão merecem ter um pequeno espaço, eternizado na escrita.

18/01/2010

Parabéns David!


O meu menino faz hoje sete aninhos!Pena ter que passar o seu aniversário na escola e eu também!