...escrever sobre este assunto, até porque, a educação é o meu meio envolvente, quer em casa quer no trabalho, mas chega a um ponto em que já não se aguenta!
Então aqui vai:
O David foi estrear uma escola: gira, colorida, pessoal simpatico, recreio amplo, horário compatível com os cá de casa, etc. A meio do 1ºPeríodo começa a professora a faltar, um dia aqui, outro acolá, o miúdo a ser distribuído para outras classes, etc. Até aí tudo normal, já se sabe que é assim que a coisa funciona e, desde que realmente funcione, tudo bem. Chega-se a Dezembro e do abecedário, a turma só tinha aprendido as vogais e o "p", "t", "d", "l". A leitura era inexistente e o David não conseguia juntar sequer uma sílaba. Comecei a intervir: " -senta aqui ao pé da mãe- vamos ler". O miúdo andou uns dias a achar graça àquilo mas depois veio o fartote e a minha impaciência. Chega-se às férias e tudo na mesma, com mais umas faltas da professora pelo meio e uma fichas para TPC com erros. Grande ensaboadela no Natal: ensinei-lhe o "m", o "b" e o "v" e consegui que começasse a ler frases do livro, com alguma rapidez e que identificasse palavras noutros sítios.
Entrou-se no 2ºperíodo e, logo no primeiro dia foi distribuído para uma sala de onde a professora acabou por sair também por doença, ficando a turma aos cuidados de uma auxiliar todo o dia. Nessa tarde, quando soube do sucedido, literalmente passei-me e telefonei para tudo quanto era sítio a pedir esclarecimentos. Como a hora já ia adiantada só consegui respostas efectivas no dia seguinte e, mesmo assim, só consegui falar com a vice-presidente do CE porque me apresentei como professora, senão acho que me tinham despachado. Antes disso cheguei a telefonar para mais duas escolas a saber da possibilidade de transferência, com um David altamente choroso ao meu lado, pedindo-me por tudo para o deixar ficar ali com a sua turma. Adiando por momentos esta ideia, falei com a tal professora, espus o caso, mostrei a minha preocupação e descontentamento e sossegaram-me com a promessa do retorno da professora tutular no final de Janeiro, sendo até lá a turma bem acompanhada. Não sei se foi do meu telefonema ou se foi pura coincidência mas no dia seguinte já o David tinha ido para uma professora diferente, sem o resto da turma, onde lhe ensinaram letras novas e o puseram a fazer trabalho efectivo e não aquelas fichas que se dão quando não apetece explicar e que foi durante 2 ou 3 semanas a realidade daquela turma.
Esta semana, com a tosse, o David faltou três dias à escola,fazendo comigo leitura,cópia e reforço de todas as letras aprendidas. Hoje regressou, para cinco minutos depois voltar para casa: escola fechada por falta de electricidade.
E, sinceramente, já não sei o que fazer, dizer ou pensar mas parece-me que a melhor alternativa vai ser mesmo esperar pelo fim deste ano lectivo uma vez que em nenhuma das outras escolas há horário da tarde para o 1ºano, sendo este ou o normal com ATl, a única hipótese para nós.
Já percebi que este vai ser um ano difícil, preocupante e, so me resta continuar a dar-lhe o apoio que lhe tenho dado, usando as mais variadas estratégias para que ele não se canse e desmotive, como a última por ele inventada que é a de ir para outro computador e enviar-me mensagens no chat com pequenas frases para eu ler e corrigir e eu responder-lhe com outras para ele as ler em voz alta.