12/10/2012

Das ideias a mil...

Se soubesse escrever bem...ah se soubesse...!
Arranjava nas letras o escape, nas vírgulas a pausa, nos pontos o final.
Se assim soubesse organizar linhas em frases coesas, sem no sentido me perder...se conseguisse transmitir nelas apenas um fio do pensamento, como teria tanto para dizer.
Se na fluidez da prosa ou no lirismo dos versos me perdesse, qual maré que tudo arrasta, sem piedade, quão mais leve estaria agora o coração. Mas não. Não sei fazê-lo. Tão pouco sei desenrolar este novelo que de tão enleado me custa a encontrar o fim, ou o começo.
Vejo nas nuvens o sinal. Correm ao sabor do vento, fogem na tempestade, enegrecem e chovem  como lágrimas. Ou como a corrente do rio que nunca banha as margens com a mesma água, porque a primeira já  vai longe, procurando outro leito, procurando o mar.
Também assim corro atrás da palavra, sem nunca a encontrar, sem nunca lhe atribuir significado mas sempre  sabendo onde o significante encontrar.
Se soubesse escrever bem, ah se soubesse!
Mas ainda não sei, ainda não encontrei a resposta à pergunta ou a pergunta à resposta.
E com tantas voltas, avessos e reviravoltas, já me perdi outra vez neste texto desconexo e sem contexto.

1 comentário:

Elisabete Martins disse...

Amor, tu escreves divinamente. Para quando o teu primeiro livro? Fico à espera.