Os últimos três dias têm sido passados em casa. Gosto de estar em casa. Aliás, adoro estar em casa. De facto, se pudesse, era em casa que eu estaria, sem me preocupar com dinheiros, rendimentos, nível de vida...por aqui ficaria, feliz e contente, com o meu marido e os meus três filhos. Tenho dito isto muitas vezes e acho que esta frase vai-me sair da boca por mais anos que viva. Ora estava eu a dizer que os últimos três dias têm sido passados aqui, desta feita a tomar conta de uma doentinha que teima em ter ataques de tosse e andar rouca. Há pouco, estando ela no seu ó-ó e a casa silenciosa, olho à minha volta e vejo a tv, o computador (sempre ligado), o piano e todas aquelas coisas com que se vai enchendo a casa ao longo dos anos. Olho lá para fora e vejo as minhas flores, as petúnias que este ano vieram tão tarde, e, do outro lado do portão, o meu carro, que me leva para onde vou precisando de ir...e aí penso que, se não trabalhasse, não teria decerto todas estas coisas. Não me interpretem mal; apesar de o materialismo ser o meu "ponto fraco"(eu aqui me confesso), acho que não estou assim tão presa a esses bens que deixasse de ser feliz por não os ter. Mas pronto...adiante.
Por estar em casa sem sair, literalmente, ando sem pressas e dou comigo a pensar nas coisas, em jeito reflexivo. Analiso mais pormenorizadamente cada pequeno acontecimento, por mais insignificante que seja; lembro-me mais dos outros, das suas necessidades e dos seus problemas, escrevo mensagens de amizade ou de encorajamento a quem precisa, etc. Por outro lado, passo tempo com os filhotes, comunico mais com eles, dou-lhes toda a atenção que precisam e eles adoram ter-me por cá sendo a ultima pessoa que vêem quando vão para a escola aquela que lhes abre a porta quando regressam e a quem relatam com entusiasmo as proezas do dia.
Há pouco, perdida nos meus pensamentos enquanto saboreava um batido improvisado, olho mais uma vez lá para fora e vejo a Mariana, uma aluna da minha direcção de turma. Estranhando a minha ausência, tinha vindo com a mãe passar à minha porta para saber se estava bem. Gostei do gesto, emocionei-me com ele. Afinal os miúdos da escola também sentem a minha falta, pensei.
Engraçado. Este ano tenho tido algumas destas surpresas. Depois das frustrações de anos anteriores, este tem sido claramente o melhor ano lectivo dos últimos tempos.
De modos que é assim. Parece que algo me sussurra ao ouvido que, já que tenho de trabalhar,as coisas até podem correr bem e valer a pena.
Ps. O post de ontem não teve nada de pessoal. Foi apenas uma constatação.
2 comentários:
Gostei muito deste post por várias razões, entre as quais o facto de este ano lectivo ter sido bom. Recordo a ansiedade da colocação, quando falámos no FB...
As melhoras da Rebeca!
que bom :)
beijinhos
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